Fazem parte deste grupo os instrutores e candidatos a instrutores brasileiros do Conceito Bobath formados pelo International Bobath Instructors Training Association (IBITA) – an international association for adult neurological rehabilitation.

Depoimentos

Adely Couto

O curso conceito Bobath para avaliação e tratamento do paciente neurológico adulto pós A.V.E. trouxe para mim uma nova visão sobre o paciente, uma nova visão do papel da equipe e uma nova visão do próprio tratamento desses pacientes. Vou tentar explicar de forma breve como eu senti cada uma dessas mudanças após o curso.

O paciente neurológico tem muito mais potencial do que se imagina, muito mais do que ele próprio pensa e mais do que eu, como profissional, acreditava e enxergava. A partir de uma avaliação criteriosa, de uma visão minuciosa da biomecânica e do conhecimento do real acometimento do paciente (com real acometimento, quero dizer que, muitas vezes o indivíduo vai apresentar uma sintomatologia muito particular e diferente daqueles padrões que encontramos nos livros), é possível traçar um atendimento centrado no paciente que trará resultados surpreendentes. É preciso ter em mente algumas noções importantes como: avaliação quantitativa X qualitativa, compensação X recuperação (compensation X recovery), consequências das compensações, razões neurais e não-neurais da hipertonia, todas elas muito bem explicadas e vivenciadas no curso. Outro ponto importante é como fazer o paciente enxergar a sua própria melhora, entram em cena então as metas e as formas de quantificação do desempenho de uma função, mais um ponto muito explorado durante as aulas teóricas e, principalmente nas práticas.

Mais um aspecto fundamental do conceito é a noção de equipe, que está intimamente ligada ao atendimento 24h. A repetição, tida como base da neuroplasticidade, precisa acontecer. Sendo assim, cuidadores e familiares devem assumir um importante papel no tratamento, já que são essas pessoas que passam a maior parte do tempo junto aos pacientes. Mais importante ainda, é função do terapeuta (fisio/fono/ t.o.) instruir a equipe sobre procedimentos importantes no que diz respeito a transferências, posicionamento, exercícios, etc.

Tudo isso nos leva a uma nova visão de tratamento, porque a inserção de todos esses novos paradigmas com relação ao próprio paciente, à patologia e à equipe, nos faz, obrigatoriamente, re-pensar, re-aprender e re-estruturar nossas ideias e, acima de tudo, nossas ações frente à missão (profissão) que escolhemos.