Fazem parte deste grupo os instrutores e candidatos a instrutores brasileiros do Conceito Bobath formados pelo International Bobath Instructors Training Association (IBITA) – an international association for adult neurological rehabilitation.

Depoimentos

Renata D`Agostini Nicolini Panisson

Ao ser convidada a escrever a respeito do impacto da abordagem baseada no Conceito Bobath na minha prática clinica o primeiro pensamento que surge é a distinção de dois momentos na minha prática: antes da formação e após a formação. Essa distinção ocorreu através de importantes conhecimentos colocados em prática durante o curso, os quais citarei a seguir.

A realização de uma abordagem específica a cada paciente, sem dúvida, é um deles. O conceito Bobath nos encoraja a realizar o raciocíneo clínico utilizando instrumentos como a Classificação Internacional de

Incapacidade e Funcionalidade (CIF) e a teoria de controle motor dos sistemas dinâmicos. Assim, ao avaliar o paciente, avaliamos a função que o paciente deseja realizar, quais sistemas estão interferindo nesta função, quais sistemas podem ser potenciais para utilizá-los no tratamento, quais os componentes desta função, a forma como o paciente está realizando-a, assim como aspectos pessoais do paciente, o que o motiva, em que ambiente a função será executada. Esta abordagem específica a cada paciente com o raciocíneo clínico constante a cada atendimento e tratamento realmente modificou a minha abordagem clínica.

Outro apecto fundamental para esta mudança é a inclusão de condutas relacionadas a estratégias de resolução de problemas pelo paciente. Antigamente, esta não era uma conduta frequente na minha abordagem. Como terapeutas algumas vezes, não controlamos a quantidade de feedback e estímulos dados ao paciente, não esperamos o seu tempo de resposta e sua análise de como foi o seu movimento e sua função. O conceito Bobath propõe que o paciente participe mais ativamente, que ele perceba algumas características de seu movimento que vamos induzindo-o a perceber, que estimule o sistema cognitivo durante o treino dos outros sistemas, que ele descubra estratégias para resolver situações problemas que podemos criar para estimulá-lo.

Além destas, outra importante prática estimulada na formação do Conceito Bobath é a prática baseada em evidência, a constante avaliação do tratamento com testes validados antes e após a terapia e o registro da função com filmagem, avaliando os aspectos quantitativos e qualitativos da mesma.

E finalizo minha reflexão apresentando um caso clínico importante na minha experiência como fisioterapeuta e pessoa. Esta na foto abaixo é minha tia, ela tem Síndrome de Down e está sendo estimulada pelo Conceito Bobath a 4 anos, desde que realizei minha formação. Ela era uma pessoa apática, sem muita participação social, acostumada com a rotina de uma casa de idosos, meus avós (foto à esquerda). Seu estímulo iniciou quando com a morte de meus avós veio morar com minha mãe e treinei a família inteira a deixá-la encontrar estratégias para a resolução de problemas em cada uma das tarefas do dia a dia. Hoje, a família se surpreende com sua participação social nos encontros, ela conversa, se expressa muito mais, tem mais agilidade e conseguimos assim conhecer sua personalidade. A foto da direita é a entrada dela na sua festa de 50 anos em dezembro do ano passado, na qual nos surpreendeu mais uma vez.

Aprendi muito com minhas instrutoras do curso básico Ana Akerman e Rosana omoko Okuyama e a cada avançado aprendo novas abordagens e novos conhecimentos.